Drª Denise Polato de Lima © 2003

Introdução À Homeopatia

PARTE I

1. Definições
2. Samuel Hahnemann
3. O Que É Homeopatia

PARTE II

1. Origem Dos Medicamentos Homeopáticos
2. Métodos E Escalas

PARTE III

1. Formas Farmacêuticas De Uso Interno





PARTE I

1. Definições

1.1 Conceitos Básicos:

Homeopata: são os profissionais de saúde que exercem a Homeopatia.
Ex: médico homeopata, farmacêutico homeopata, veterinários, etc.

Homeopática: relativo à Homeopatia.
Ex: farmácia homeopática, medicamento homeopático.

Homeopatista: adepto, conhecedor da Homeopatia.

Medicamento: todas as substâncias com propriedades terapêuticas, às quais os seres vivos são sensíveis de alguma forma, em algum grau.

Remédio: aquilo que pode debelar uma doença. Medicamento que cura ou alivia. Para o paciente só é remédio aquele medicamento que, após a administraçäo veio a curá-lo. São remédios as substâncias ativas, medicamentos, e as demais manifestações capazes de levar alguém à cura, mesmo aquelas não materiais ou inexplicáveis, como uma surpresa, alterações cósmicas ou climáticas.

Medicamento Homeopático: substância que se presume ou se aplica como remédio, mas que foi experimentada no homem são, portanto, que tem uma patogenesia. Entretanto, nem todos os medicamentos de uso homeopático foram experimentados no homem são, alguns deles são de uso empírico, com semelhança etiológica, como os nosódios.


Dinamização: é o processo de liberação do poder medicamentoso dinâmico, latente, das substâncias ativas, para o homem.

Sucussão: agitação do medicamento após cada diluição. É feita na técnica homeopática hahnemanniana pura, agitando-se o frasco cheio até 2/3 , no sentido vertical e batendo-o contra um anteparo duro semi-elástico, com uma altura de aproximadamente 30 cm.

Potência: diz-se do resultado final de cada etapa do processo de dinamização e diluição. Ex: Calcarea carbonica 30CH- 1 vd glóbulos.


2. Samuel Hahnemann

Cristiano Frederico Samuel Hahemann nasceu em Meissein, Alemanha em 1755. Iniciou seus estudos de Medicina aos 20 anos, sustentando-se através do ensino e alemão e francês a um jovem grego e traduções de inglês.
Seu obejetivo era estudar em Viena, onde era realizado a prática médica.

Torna-se doutor em Medicina em 1779, e passa a praticar farmácia e química.

Em 1789 traduz a Matéria Médica de Cullen, e inicia seus estudos através da Cinchona.

De 1791 a 1796 realiza estudos e experimentações. Em 1796 publica sua primeira obra de Homeopatia "Ensaio sobre o Novo Princípio para Descobrir a Força Curativa das Drogas".

Publica várias obras e à partir de 1812 forma discípulos.

Em 1821 consolida seu trabalho como médico homeopata.

Veio a falecer em Paris em 1843.

3. O Que É Homeopatia


A) Conceito:

É uma Medicina que possui conceitos próprios como o de Saúde, Doença, Terapêutica, faz-se reger por Leis e Princípios. Como uma Ciência que é, e se exerce através de uma técnica e de uma arte que a tornam praticável e lhe dão um toque profundamente humano.

B) Definição:

"Homeopatia é a Ciência e Arte Médica que tem por fim dar ao homem condições físicas e mentais para livremente ir a alcançar os seus mais altos desígnios, através de Leis e Princípios, determinados e segundo uma técnica e uma arte próprias."

Terapêutica que tem por objetivo curar o paciente utilizando-se de medicamentos que no homem são provocam os mesmos sintomas da doença. "Smilia similibus curantur"

C) 3 Leis:

- Lei dos Semelhantes
- Experimentação do homem são
- Medicamentos diluídos e dinamizados

C-1) Lei dos Semelhantes

Durante a tradução da matéria médica e Cullen, Hahnemann discordou do uso da China e resolveu experimentar em si próprio. Observou que a China provocava nele, homem são, os mesmos sintomas que um doente de malária apresentava, e que, quando suspendi o uso da droga, ele voltava ao estado de boa saúde.

C-2) Medicamentos diluídos e dinamizados

Hahnemann observou que em doses muito elevadas os sintomas manifestos eram bastante alterados e o retorno à boa saúde, bem mais lento.

Iniciou então a diluição dos medicamentos, preocupado com a toxicidade e também preocupado em avitar o aparecimento de sintomas por demais desagradáveis.

Porém, Hahnemann já havia concluído que a doença era uma alteração da energia vital e que ao diluir, estava diminuindo a concentração dos princípios ativos. Percebeu que necessitava de uma forma de compensação, imprimindo então ao medicamento, o processo de dinamização, um processo dinâmico, realizado através de movimentos verticais, que são as sucussões, permitindo então a liberação do poder medicamentoso de cada substância.

Com o passar do tempo, observou que quanto mais diluisse a substância inicial, melhores resultados obtinha, minimizando o aparecimento de sintomas desagradáveis e mais rapidamente retornando ao equilíbrio, ao estado de saúde.

Esta energia liberada pela substância entra em ressonância com a energia vital do indivíduo, promovendo o equilíbrio vital, proporcionando a cura.

C-3) Experimentação no homem são

Importância: evitar a interferência de sintomas alheios. Estes sintomas pertubariam a avaliação dos verdadeiros sintomas patogenéticos.




Métodos segundo Hahnemann

1 - Escolha do indivíduo: médico, ter boa saúde, ser um indivíduo sem preconceitos, de ambos os sexos.
2 - Substãncia a ser testada: deve ser pura, bem conhecida e usada isoladamente.
3 - Regime: regime de vida moderado, sem mudanças bruscas; deve evitar atividades fatigantes do corpo e espírito, além de orgias e paixões desenfreadas.
4 - Doses: "a dose que se costuma prescrever em receitas" (mg/kg) moderada e vari vel de acordo com cada substãncia.
5 - Descrição de sintomas: serão avaliados e divididos em psíquicos, sensações subjetivas, minúcias (modalidade, hor rios, duranção), e confronto de sintomas atuais com os anteriores.

A força vital, segundo a Ciência Moderna

A) Vitalismo

O vitalismo entende ser a vida o resultado da ação sobre a matéria de algo extrínseco a ela, de natureza não material, não mensurável, mas que se observa existir no vivo e não existir no não vivo. Segundo o vitalismo, essa harmonia observada nos seres vivos‚ a própria condição de vida, se deve a energia vital ou princípio (força) vital. Ela está presente em todo o corpo, distribuída por todas as sensações e funções.

Segundo Hahnemann : "A totalidade dos sintomas esse quadro da essência da doença refletida para fora, isto é, a afecção da força vital deve ser o principal e único meio pelo qual a enfermidade dá a conhecer o medicamento de que necessita - o único meio que determina a escolha do medicamento mais apropriado - em suma, a totalidade dos sintomas."

Doença nada mais seria que uma perturbação da força vital. Se é por uma influência dinâmica que o homem adoece, é também por um processo semelhante, dinâmico, que ele dever‚ se curar. "Assim a ação dinâmica das influências morbíficas no homem são, bem como a força dinãmica dos medicamentos no princípio vital, para a restauração da saúde, não é outra coisa, senão infecção, e de nenhum modo material, de nenhum modo mecânico ou estético."


PARTE II

1. Origem Dos Medicamentos Homeopáticos

Reino Vegetal:
Bryonia alba(cebola)
Allium sattivum(alho)
Lycopodium clavatum(musgo-Briófitas)

Reino Animal:
Apis mellifica(abelha)
Blatta orientallis (barata americana)

Imponderáveis:
radiações, magnetos Radium bromatum
(Brometo de rádio)
Pólo magneticus articus
Sol, Luar, etc.

Produtos sintéticos:
Cortisona

Medicamentos alopáticos dinamizados:
Haldol.

Preparados homeopáticos:
uso exclusivo na Homeopatia. Ex.:
Causticum Hahnemann (cal)


Bioterápicos

Conceito: medicamentos produzidos a partir de secreções, excreções, tecidos, órgãos de animais ou vegetais sãos ou patológicos, ou ainda de organismos portadores do princípio da doença, microorganismos.

Nosódios: são os medicamentos preparados com produtos de secreçâo ou excreçao patológica de animais ou vegetais.
Ex.:
Animais:
Luesinum - preparado por raspado do cancro sifilítico
Medorrhinum - preparado com o pus blenorrágico de gonococcus de Neisser.

Vegetais:
Secale cornutum - preparado à partir da secreçâo produzida pelo esporão do centeio.

Sarcódios: preparados à partir de secreções fisiológicas de animais ou vegetais.
Ex.: animal : Sepia succus - preparado à partir da tinta expelida pelo polvo quando agredido.

vegetal: Opium - suco leitoso da Papaveris somniferi(proscrito).

Auto - Nosódios: preparados de secreções, produtos patológicos ou partes de órgãos ou tecidos que devem conter o princípio patológico responsável pelo estado de doença de um ser vivo, para ser usado em sua própria cura.
Ex.: urina, fezes, catarro, raspados de tecidos, sangue, etc.

Organoterápicos: preparados à partir de órgãos.
Ex.: Glândula tireóide, pâncreas,etc.


2. Métodos E Escalas

1)Escalas:

São as proporções seguidas na preparação das diferentes diluições. Säo diferentes concentrações a que são submetidos os medicamentos durante a sua preparaçäo. As escalas hahnemannianas são a Centesimal e Cinquenta Milesimal. Temos também a escala Decimal introduzida na homeopatia por Hering.

1.1)Escala Centesimal(CH):
A diluição é preparadas na proporção de 1:100(insumo ativo:insumo inerte)
1.2)Escala Decimal(DH):
A diluição é preparada na proporção de 1:10(insumo ativo:insumo inerte)
1.3)Escala Cinquenta Milesimal(LM):
A forma derivada obedecerá a proporção de 1:50.000
Esta escala foi descrita na 6. Edição do Organon, sendo introduzida no Brasil pelo Dr. Galvâo Nogueira em 1980.
Preparada em poucas farmácias nacionais, bem como na França, Alemanha, Argentina, México e Índia.
Utilizam-se Microglóbulos cujo tamanho deve ser tal que, 100 unidades pesem 1 grão, ou seja 63mg.
O medicamento sofrerá uma dinamização na escala centesimal (diluição de 1/100) e posterior diluição sobre 500 Mcg.
Logo : 1/100 dividido por 500 = 1/50.000

2)Métodos:
Métodos de Preparação das Formas Farmacêuticas Derivadas:
As formas farmacêuticas derivadas são preparadas nas escalas Centesimal, Decimal e Cinquenta Milesimal.

2.1)Definições:
- Ponto de Partida: forma farmacêutica básica ou a própria droga.
- Preparação: quando for TM ou droga solúvel nos insumos inertes indicados, a preparação será por diluição seguida de sucussões. Quando for droga insolúvel, a preparação será por trituração.
- Insumo inerte para drogas solúveis: etanol em diferentes graduações. Nas três primeiras dinamizações, para escala centesimal e nas seis primeiras para escala decimal, será empregado etanol com o mesmo título etanólico da TM. No caso específico de drogas de origem mineral ou químico-farmacêutica será empregado etanol no mesmo título etanólico de seus dissolventes iniciais.
- Insumo inerte para drogas insolúveis: lactose nas três primeiras triturações, para escala centesimal, e nas seis primeiras para escala decimal, salvo especificação diferenciada na monografia.

2.2)Método Hahnemanniano:

2.2.1)Escala Centesimal e Decimal:

2.2.1.1)Drogas Solúveis:
- Ponto de Partida: forma farmacêutica básica(TM ou dinamização anterior)
- Insumo inerte: etanol em diferentes graduações.
- Nas preparações para estoque será usado etanol a 70%, e na dispensação, etanol a 30%.
- Número de frascos: tantos quanto forem as dinamizações a serem feitas.
- Volume: o líquido a ser dinamizado deverá ocupar 2/3 da capacidade do frasco utilizado.
- Número de sucussões: 100
- Processo: diluição e sucussão, manual ou mecânico.
Processo manual:
A sucussão será executada através de movimento contínuo e ritmado, no sentido vertical, com o antebraço, de modo que produza choque do fundo do frasco contra um anteparo semi-rígido.
Processo mecânico:
A sucussão será feita em máquina que mantenha as características do processo manual.
Técnica:
Para prepararmos 20ml de Pulsatilla nigricans 3CH, teremos:
No primeiro vidro: 19,80ml de álcool onde serão acrescidos 0,20ml de Pulsatilla nigricans Tintura Mãe(Ponto de Partida),
Dinamiza-se, com 100 sucussões, obtendo-se Pulsatilla nigricans 1CH,
No segundo vidro, teremos 19,80ml de álcool acrescidos de 0,20ml da potência anterior (Pulsatilla nigricans 1CH),
Dinamiza-se, com 100 sucussões, obtendo-se assim Pulsatilla nigricans 2CH,
Por fim, no terceiro vidro, 19,80ml de álcool acrescidos de 0,20ml da potência anterior( Pulsatilla nigricans 2CH),
Dinamiza-se, com 100 sucussões, obtendo-se assim Pulsatilla nigricans 3CH.
Conservação: Recipientes de vidro âmbar, bem fechados, protegidos do calor e da luz direta.
Prazo de Validade: a ser determinado caso a caso.

2.2.1.2)Drogas Insolúveis:
- Ponto de Partida: drogas insolúveis, quando sua solubilidade for inferior a 10% no insumo inerte líquido, e qualquer droga na preparação da LM.
- Insumo inerte: Lactose para a fase sólida, e etanol em diferentes graduações, para a fase líquida.
- Processo: trituração para a fase sólida, diluição e sucussão para a fase líquida, manual ou mecânica.
Técnica:
1)Dividir a quantidade total de lactose a ser utilizada em 3 partes iguais. Colocar a primeira parte da lactose em gral de porcelana e triturar para tampar as paredes do gral.
2)Sobre esta lactose adiciona-se o insumo inerte a ser triturado, obedecendo-se a escala centesimal ou decimal.
3)Homogeneizar com espátula de procelana ou de aço inox.
4)Triturar, vigorosamente, durante 6 minutos.
5)Raspar, com espátula de porcelana ou de aço inox, o triturado aderido ao gral e ao pistilo, por 4 minutos.
6)Tritura mais 6 minutos.
7)Raspa por mais 4 minutos.
8)Acrescenta a segunda porção de lactose.
9)Repete o processo, tritura 6´ e raspa 4´, por 2 vezes.
10)Este triturados será 1CH ou 1DH.
11)Para obtenção da 2CH ou 2DH, repete-se todo o processo, utilizando-se a 1CH ou 1DH como insumo ativo.
12)No caso da escala centesimal serão realizadas 3 triturações, e na escala decimal, 6 triturações.
13)Para solubilizar a 3CH ou a 6DH, dissolver 1 parte do triturado em álcool 20% e sucussionar, obtendo-se a 4CH ou 7DH, que não serão estocadas. As potências seguintes serão tratadas normalmente em álcool 70% para estoque e álcool 30% para dispensação.
Conservação: Recipientes de vidro âmbar, bem fechados, protegidos do calor e da luz direta.
Prazo de Validade: a ser determinado caso a caso.

2.2.2)Escala Cinquenta Milesimal:
- Ponto de Partida: droga mineral ou biológica, vegetal ou animal, sempre que possível no estado fresco. Excepcionalmente, poderá ser utilizada a TM, tendo sua força medicamentosa corrigida.
Exemplo: uma TM a 10% tem força medicamentosa de 1/10, ou seja, 1 parte da droga está contida em 10 partes de TM. Para a primeira trituração centesimal, colocar 10 partes da TM para 100 partes de lactose.
- Insumo inerte: lactose para a fase sólida e etanol em diferentes graduações para a fase líquida.
- Número de frascos: tantos quanto forem as dinamizações a serem feitas.
- Volume: na fase líquida, o líquido a ser dinamizado deverá ocupar 2/3 da capacidade do frasco utilizado.
- Número de sucussões: 100
- Processo: para a fase sólida, trituração, para a fase líquida, diluição e sucussão, manual ou mecânico.
Técnica:
Primeira etapa: trituração da droga até 3CH, conforme a técnica de trituração.
Segunda etapa: dissolução do terceiro triturado(1/1.000.000)
63mg do terceiro triturado são dissolvidos em quinhentas gotas, medidas com cânula padronizada de uma mistura de 1 parte de álcool 96% e 4 partes de água destilada.
Terceira etapa: preparação do primeiro grau de potência LM(1LM)
- Colocar uma gota da solução anterior em frasco de capacidade adequada.
- Acrescentar 100 gotas de álcool 96%
- Aplicar 100 sucussões. O frasco para potencialização será preenchido com 2/3 de seu volume. O produto desta operação corresponde ao medicamento no primeiro grau de dinamização.
- Umedecer com 1 gota do primeiro grau de dinamização, 500 microglóbulos.
- Separá-los, rapidamente sobre papel de filtro e deixar secar à temperatura ambiente. Este é o medicamento na 1LM.
Quarta etapa: preparação do segundo grau de potência LM(2LM)
- Dissolver um microglóbulo da 1LM em uma gota de água destilada
- Acrescentar 100 gotas de álcool 96%
- Aplicar 100 sucussões. O frasco para potencialização será preenchido com 2/3 de seu volume. Este é o medicamento no segundo grau de dinamização.
- Umedecer, com 1 gota do segundo grau de dinamização, 500 microglóbulos.
- Separá-los, rapidamente sobre papel de filtro e deixar secar à temperatura ambiente. Este é o medicamento na 2LM.
Quinta etapa: preparação dos demais graus de potência LM
- Dissolver um microglóbulo da LM imediatamente anterior em uma gota de água destilada
- Acrescentar 100 gotas de álcool 96%
- Aplicar 100 sucussões. O frasco para potencialização será preenchido com 2/3 de seu volume. Este é o medicamento no grau de dinamização imediatamente superior.
- Umedecer, com 1 gota desta preparação, 500 microglóbulos.
- Separá-los, rapidamente sobre papel de filtro e deixar secar à temperatura ambiente. Este será o medicamento na LM correspondente.
Conservação: Recipientes de vidro âmbar, bem fechados, protegidos do calor e da luz direta.
Prazo de Validade: a ser determinado caso a caso.

2.3)Método Korsakoviano:
- Ponto de Partida: medicamento na 30CH em etanol a 70%
- Insumo inerte: etanol 70% para as intermediárias e a 30% para dispensação.
- Número de frascos: frasco único
- Volume: o líquido a ser dinamizado deverá ocupar 2/3 da capacidade do frasco utilizado.
- Número de sucussões: 100
- Processo: diluição e sucussão, manual ou mecânico.
Técnica:
Colocar num frasco quantidade suficiente de medicamento na 30CH de modo que ocupe 2/3 de sua capacidade. Emborcar o frasco, deixando o líquido escorrer livremente por 5 segundos. Adicionar o insumo inerte na quantidade previamente estabelecida e sucussionar por 100 vezes. A resultante desta sequência de operações corresponde à 31K. Repetir este procedimento para obter as dinamizações subsequentes.
A dispensação do medicamento preparado por este método deve se dar a partir da 31K até a 100.000K, como limite máximo.
É vedada a estocagem de medicamentos preparados por este método.
Conservação: Recipientes de vidro âmbar, bem fechados, protegidos do calor e da luz direta.
Prazo de Validade: a ser determinado caso a caso.

2.4)Método de Fluxo Contínuo:
- Ponto de Partida: medicamento na 30CH em etanol a 70%
- Insumo inerte: água(obtida por destilação, bi-destilação, desionização-filtração esterelizante)
- Número de frascos: câmara de dinamização única.
- Controle de vazão: fluxo contínuo e constante que garanta a obtenção da preparação.
- Escala: não definida
- Núnero de sucussões: 100 rotações
- Processo: diluição e turbilhonamento mecânico.
Características Obrigatórias do equipamento:
- A câmara de dinamização deverá possuir características que garantam a qualidade da preparação, de acordo com o manual do equipamento.
- A entrada de água deve ocorrer junto ao centro do vértice do líquido em dinamização, de forma que a água que entra na câmara seja turbilhonada antes de ser expulsa.
- O grau de dinamização desejado será em função do tempo necessário para sua obtenção. Alcançado o tempo definido, desligar simultaneamente a e entrada de água e o motor do aparelho.
- Todo dinamizado será retirado da câmara para que sejam feitas, a seguir, duas dinamizações hahnemannianas em álcool a 70%, para estocagem.
- Interromper o processo sempre duas dinamizações anteriores das abaixo citadas: 200FC, 500FC, 1MFC, 5MFC, 10MFC, 50MFC, 100MFC.
Técnica:
- Adicionar o volume do medicamento de partida equivalente à capacidade total da câmara do aparelho, respeitando a proporção de 1:100. A entrada de água e a rotação do mototr serão acionados simultaneamente.
- A dinamização inicia-se sempre com a câmara cheia.
- O processo será reiniciado com a última dinamização hahnemanniana em que ele foi interrompido, em água respeitando a proporção de 1:100, no volume correspondente à capacidade total da câmara.
- Acionar, então, a entrada de água e o motor, simultaneamente.
A dispensação do medicamento preparado segundo o método de Fluxo Contínuo deve se dar a partir da 200FC até a 100.000FC, como limite máximo.
Conservação: Recipientes de vidro âmbar, bem fechados, protegidos do calor e da luz direta.
Prazo de Validade: a ser determinado caso a caso.



PARTE III

2. Formas Farmacêuticas De Uso Interno

2.1 Formas Farmacêuticas Líquidas
2.1.1 Dose Única Líquida
Quantidade limitada de medicamento líquido a ser tomado de uma só vez.

-Veículo: solução hidroalcóolica 30%(p/p) para a separação do medicamento na dinamização desejada, a qual será diluída em água para ser dispensada.

-Volume: de acordo com o desejado.Quando não especificado, serão dispensadas 2 gotas do medicamento, na dinamização desejada, em 1ml do insumo inerte.

-Preparação: dissolução
-Técnica: métodos Hahnemanniano, Korsakoviano e Fluxo Contínuo.

2.1.1.2 Preparação Líquida Administrada sob a forma de gotas

São preparações hidroalcóolicas a 30%(p/p), contendo medicamento a ser administrado sob a forma de gotas.

-Veículo: hidroalcoólico a 30%(p/p)
-Volume: de acordo com o desejado
-Técnica: métodos Hahnemanniano, Korsakoviano e Fluxo Contínuo.
-Dispensação: será dispensado o volume desejado.

2.2 Formas Farmacêuticas Sólidas
2.2.1 Comprimidos
Os comprimidos se apresentam com peso compreendido entre 100 e 300mg.

-Impregnação:
-Preparar o insumo ativo líquido, na dinamização desejada, em s.h. com graduação igual ou superior a 70%(p/p).
-Impregnar os comprimidos inertes com insumo ativo líquido, na proporção de 10%(v/p).

-Secagem: a secagem será executada separadamente, medicamento a medicamento, em T < 50° C.

2.2.2 Dose Única Sólida
Quantidade limitada de medicamento sólido a ser tomada de uma só vez.

-Preparação: a dose única sólida será impreganda com 2 gotas de insumo ativo.
-Dispensação:
. comprimidos: 1 comprimido
. glóbulos: 5 glóbulos
. pó: 1 papel (0,5g)
. tablete: 1 tablete

2.2.3 Glóbulos
Os glóbulos se apresentam sob a forma de pequenas esferas com pesos de 30mg(nº 3), 50mg(nº 5) e 70mg(nº 7), constituídos de sacarose ou mistura de sacarose e lactose.

-Preparação:
-Impregnação:
.Preparar o insumo ativo líquido, na dinamização desejada, em s.h. com graduação igual ou superior a 70%(p/p).

.Impregnar pelo método da tríplice impregnação, com o insumo ativo, os glóbulos inertes, na proporção de 10%(v/p).

-Secagem: a secagem será executada separadamente, medicamento a medicamento, em T < 50° C.

2.2.4 Pós
Os pós de uso interno serão constituídos de insumo ativo, na dinamização desejada, veiculadas em lactose, com peso unitário de 300 a 500mg.

-Preparação: Preparar o insumo ativo líquido, na dinamização desejada, em s.h. com graduação igual ou superior a 70%(p/p).

-Impregnar a lactose com insumo ativo líquido, na proporção de 10%(v/p).

2.2.5 Tabletes

Os tabletes se apresentam com peso compreendido entre 100 e 300mg, sendo preparados por moldagem da lactose em tableteiro, sem a adição de coadjuvantes.

Preparação:
-Impregnação:
.Preparar tabletes inertes, por moldagem da lactose, em tableteiro, dando o ponto de moldagem com quantidade suficiente de solução hidroalcóolica a 70%(p/p).

.Preparar o insumo ativo líquido, na dinamização desejada, em s.h. com graduação igual ou superior a 70%(p/p).

.Impregnar estes tabletes com insumo ativo,na proporção de 10%(v/p).

-Secagem: a secagem será executada separadamente, medicamento a medicamento, em T < 50° C.


Diferentes Graduações Alcoólicas:
a)ÁLCOOL 5%: se destina à preparação de líquidos para recém nascidos, ou medicamentos de uso imediato(dose única). Medicamentos preparados com este álcool possuem validade máxima de 1 mês.
b)ÁLCOOL 20%: largamente utilizado pela Medicina Antroposófica, ou quando se deseja obter uma preparação de paladar mais suave. Validade aproximada de 6 meses.
c)ÁLCOOL 30%: usado na maioria das preparações. Validade aproximada de 2 anos.
d)ÁLCOOL 45%: o mais empregado por proporcionar grande estabilidade ao medicamento. Validade indeterminada.
e)ÁLCOOL 60 e 65%: empregado na preparação de Tinturas-mãe de acordo com cada monografia.
f)ÁLCOOL 70%: utilizado para preparações que se destinam à preparação de soluções estoque e matrizes.
g)ÁLCOOL 90%: utilizado na obtenção de líquidos que se destinam a preparação de glóbulos e outras formas sólidas.

A Receita Homeopática:

1)Nomenclatura:
O nome do medicamento deve ser escrito em latim conforme a nomenclatura botânica. Primeira letra maiúscula e as demais minúsculas.
Ex.: Platina 200FC.......................Dose Única 10 glóbulos

No caso de medicamentos que não possuem somente mais de uma espécie ou tipo, não há necessidade de se especificar o segundo nome.
Ex.1: Lycopodium clavatum,
Lycopodium

Ex.2: Calcarea carbonica,
Calcarea phosphorica,
Calcarea sulphurica,

2)Abreviações:
São permitidas as abreviações desde que não levem a interpretação errônea do medicamento.
Ex.1: Natrum mur. (muriaticum)
T.K.(Tubercullinum Koch)
Ex.2: Bell (Belladonna)
Bellis (Bellis perenis)
Sulph.ac
Sulph.
H.sulph.
Anac.or.
Anac.oc.
Kali c. (Kali carbonicum ou Kali chloricum =Kali muriaticum)

O receituário ideal é aquele datilografado ou impresso, que permite uma leitura clara e precisa não só do nome do medicamento, como também da quantidade e posologia.

3)Siglas:
É proibido pela FHB bem como pelo código de ética médico e farmacêutico, a prescrição de medicamentos sob a forma de siglas, números, códigos ou qualquer outra forma de apresentação que venha impedir a manipulação do produto em qualquer farmácia. Hoje, está em estudo a padronização nacional dos medicamentos tanto na sua farmacotécnica quanto na prescrição, objetivando facilitar a manipulação, combatendo o agenciamento de médicos e farmácias.

4)Sinônimos:
É fundamental que a farmácia possua para consultas diárias um ou mais dicionários de sinônimos, lembrando que muitas vezes o médico lança mão da sinonímia para poder usar o mesmo medicamento sem que o paciente perceba.
Nestes casos a farmácia em hipótese alguma deverá fazer comentários com o paciente sobre o medicamento, levando o paciente a inseguranças em relação ao remédio.
Ex.: Lachesis mutus = Mutus
Sepia succus = Sepia officinalis
Silicea = Silicea terra


@@@@ Enquanto isso no balcão:
- Boa tarde, vim aviar este medicamento.
- Claro D.Maria.
- O médico disse que agora eu vou melhorar mesmo. Mudou meu remédio!
- Mas Mutus é a mesma coisa que Lachesis, aquele da receita anterior....
- Oh! O médico me enganou...... Não quero mais a receita. Vou voltar para o alopata.

Outros exemplos:
Narduus celtica = Arnica montana
Colubrina = Nux vomica
Pes leoninus = Lycopodium
Herba venti = Pulsatilla nigricans
Depuratum = Sulphur
Oophorinum = Ovarium
Ovarinum = Ovarium
Muitas vezes determinada sinonímia é empregada regionalmente é desconhecida em outra, como é o caso do Depuratum, bastante utilizado no Rio de Janeiro, mas não é empregado em nossa região.

5)Como Deve Ser A Receita Homeopática:
Como já foi dito anteriormente o ideal seria que a receita viesse impressa ou datilografada. Além de seguir os padrões do receituário médico já padronizado deverá conter:
- Nome completo do medicamento,
- Potência desejada,
- Escala,
- Quantidade,
- Forma farmacêutica,
- Posologia,
- Tempo de uso,
- Caso o medicamento precise de algum cuidado especial e relação à conservação, horário para ser usado, dieta a ser seguida, etc, deverá constar de forma clara, cabendo a farmácia salientar o que foi escrito.
- Telefone da residência do médico.

Clínica Homeopática
Dr. ##########################
Médico Homeopata

Para a Sra. **************************

Sulphur 10MFC.....................................XX/10
Tomar hoje à noite. Validade do med.: 24 horas.
Manter jejum de 1 hora antes e depois de tomar.
Ligar em 7 dias.

Dr.#########
Juiz de Fora, xx de xx de 2000.

6)Principais Erros Encontrados Nas Receitas:
Hamamelis............................glóbulos
Chupar 8 glóbulos 4 x ao dia. Colocar as pernas para cima.

Baryta mur. 6CH
Usar 1 x ao dia, por 4 dias.

Graphites 1CH..................................glóbulos
Chupar 5 glóbulos de 2 em 2 horas.

Chamomilla 10.000CH.....................................XX/30
Tomar todo conteúdo em jejum.
Como resolver?