Drª Denise Polato de Lima © 2003


A homeopatia teve seu ápice no final do século passado, logo após ter sido descoberta pelo médico alemão Samuel Hahnemann. Porém, com a virada do século XX e com o grande desenvolvimento científico, a homeopatia foi lentamente perdendo seu vigor, a ponto de, nas primeiras décadas, não mais existirem escolas médicas homeopáticas, todas fechadas por falta de alunos.

Por outro lado, é inegável que nos últimos 10, 20 anos, houve um ressurgimento de interesse pela homeopatia, juntamente com a redescoberta da medicina natural, ou medicina caseira. Tal renascimento se deve principalmente aos vários malefícios que os medicamentos da terapêutica oficial vêm causando aos pacientes. Ou seja, parece que, novamente, mais do que pelas suas próprias qualidades, a homeopatia volta à tona pelas más qualidade da assim chamada terapêutica alopática. Como fazer para que a medicina natural e a homeopatia percam essa fragilidade que as colocou como alvos constantes de críticas e desconsiderações? Como práticas médicas que têm suas bases calcadas em mistérios e interpretações duvidosas, sobrevivem em um meio cientificista?

E muito difícil aceitar que como queria Hahnemann, alguma forma misteriosa de "energia" seja comunicada ao medicamento durante a sua diluição, através do modo como ele é preparado. Além disso, dar uma dose infinitamente pequena de algo é o mesmo que não dar nada. Sabemos hoje, que a matéria, seja animal, vegetal ou mineral, é constituída por moléculas e que existe o mesmo número, em cada molécula-grama de qualquer substãncia. Ora, a homeopatia vai diluindo progressivamente seus medicamentos, até o ponto em que, em uma certa diluição, não mais existe sequer traço da substãncia original, ou seja, o paciente toma apenas o veículo inerte, porém dinamizado. Este, outro ponto polemico a ser considerado. A dinamização, processo que libera a energia interna dos medicamento, através de sucussões cont'nuas, também não encontra apoio em menhuma lei da física e da química.

Tampouco, seria fácil convencer alguém de que as ervas, as benzeções, as simpatias e, principalmente a fitoterapia, tenham condições de garantir um lugar ao lado da medicina clássica, pois se baseiam na prática e no conhecimento botãnico, este também adquirido através da dia-a-dia, e ainda o mais agravante, seria o fato de que são formas curativas exercidas por qualquer pessoa que se julgue capaz. Embora a fitoterapia tenha caminhado no sentido de detectar os princípios ativos nos vegetais, determinando suas propriedades e ações e, principalmente, sua tóxicidade, muito pouco se sabe sobre seus efeitos no organismo. Estes estudos porém, não são suficientes para evitar que plantas radicionalmente conhecidas, como por exemplo a Belladona, ora proibida na Alemanha Ocidental, sejam acusadas de causar ao longo do tempo, efeitos cancerígenos naqueles que dela fazem uso.

Como se pode notar, muitas são os motivos que colocam hoje, a medicina alternativa em julgamento. Contudo não se pode fazer uma avaliação precipitada sem antes, analisarmos a importãncia da homeopatia no tratamento de várias doenças, como por exemplo a alergia. Não podemos nos esquecer também, da grande diferença existente entre alopatia e homeopatia, no que diz respeito ao encaminhamento de casos, no contato com os pacientes. A medicina alternativa se preocupa com as sensações e expressões individuais, com a necessidade de um contato entre o médico e o paciente, tendo por objetivo um processo de cura o menos doloroso possível: tudo comecou com a experimentação no homem são, e deve retornar a ele.

Em meio à presente crise estrutural das relações humanas, a homeopatia representa uma via de promoção da saúde que se constitui de caracteríicas de método e conhecimento, fundados nos valores essenciais do contato interpessoal. Como tal nos leva à reflexão. Essa reflexão deve considerar a gama de possibilidades e recursos de ordem terapêutica, que apresenta menores riscos e sofrimento para o doente, especialmente nos processos de doenças crõnicas, degenerativas e mesmo "incuráveis ".

Tanto a homeopatia como a medicina natural, têm hoje, como sempre tiveram seus lugares determinados na sociedade, todavia não resta dúvida de que, vítimas constantes de ataques e depreciações, tendem desaparecer. E preciso antes de tudo, que homeopatas de todo mundo se reúnam em torno de um objetivo comum: a pesquisa, a busca incessante de respostas às tantas dúvidas existentes. Que a sociedade se posicione, indagando, se informando através dos profissionais homeopatas: médicos e farmacêuticos, que a farmácia cumpra seu papel de farmácia diferenciada, destacando profissionais devidamente preparados para orientar. Não se deve abrir espaços para o charlatanismo e a ilusão de cura fácil.

Aceitar as deficiências da medicina clássica, é fechar os olhos para a mercantilização crescente, conseqüência da massificação no atendimento médico. E concordar com o atendimento superficial e até mesmo desumano que se pratica em alguns locais. Ceder a grande pressão da propaganda de medicamentos, a introdução injustificada de outros remédios, a manipulação econõmica que leva a medicina depender mais e mais de onerossos meios de diagnósticos. Aceitar a relação médico-paciente destruída, o médico automatizado e a automedicação generalizada.

A população precisa questionar e conhecer, para poder optar entre a homeopatia e alopatia. Não deve haver lugar para discordãncias, pois o objetivo é único: promover a saúde.

Quando uma terapêutica resiste por dois séculos a todas as formas de críticas e ataques, com milhões de pessoas absolutamente convictas de que foram curadas, é muito difícil dizer que ela é uma quimera ou fantasia. Pode-se aceitar então, por um simples exercício de lógica, que a eficácia terapêutica da homeopatia é um fato.