Drª Denise Polato de Lima © 2003


1) MEDICINA ORTOMOLECULAR
2) A TERAPIA COM ANTIOXIDANTES
3)VITAMINAS
4) MINERAIS QUELATOS
5) ESTUDO DOS MINERAIS
6)"ANTI-AGING": O REJUVENESCIMENTO PELA MEDICINA ORTOMOLECULAR


1) MEDICINA ORTOMOLECULAR:

1.1) INTRODUÇÃO:
A Medicina Ortomolecular é o ramo da ciência que visa a normalização do equilíbrio químico do organismo através do uso de substâncias e elementos naturais, cujo sucesso tem sido comprovado clinicamente de forma incontestável.

Segundo a teoria formulada pelo Dr. Denham Harman, mutações expontâneas, câncer e envelhecimento são resultado de uma contínua "radiação interna" e os radicais livres são mutagênicos quando atingem o DNA, RNA e proteínas. Estudos mais recentes tem dado prioridade à investigação dos efeitos provocados pelos radicais livres sobre o sistema imunológico, considerando-se aí residir a origem de várias degenerações específicas e localizadas no organismo humano.

A descoberta de que as vitaminas são substâncias potencialmente antioxidantes e neutralizadoras de radicais livres vem reforçar e complementar os achados bioquímicos, que já sabiam de sua função catalizadora para diversas reações metabólicas no sistema biológico, onde funcionam, freqüentemente, como moléculas receptoras de cargas ou partículas eletronegativas.

1.2) RADICAL LIVRE (RL):
O termo "radical" vem sendo empregado desde os primórdios da química, sendo definido como um átomo ou grupo de átomos com um elétron não emparelhado. Neste estado, átomos e moléculas se tornam muito reativos, pois precisam doar o elétron desemparelhado a fim de recuperarem a sua estabilidade química. A velocidade com que cede o elétron não emparelhado determina o grau de reatividade do RADICAL LIVRE e conseqüentemente o seu potencial de ataque às estruturas celulares e orgânicas, muito sensíveis a reações de oxi-redução.

A formação de RL no organismo deve obedecer tão somente às necessidades metabólicas: quando isso não acontece e ocorre um excesso de RL, o organismo fica sujeito a degenerações e suas consequências patológicas, conforme veremos a seguir.

1.3)DOENÇAS, ENVELHECIMENTO E RADICAIS LIVRES:
Embora estivéssemos tratando até aqui, das condições patológicas envolvidas com os RL, é importante falarmos também sobre seu papel biológico.

Com já vimos anteriormente os RL são formas reativas de átomos e moléculas e como tais participam de numerosas reações orgânicas, para as quais são indispensáveis. A liberação de energia das ligações fosfato do ATP( a molécula universal para armazenamento de energia), depende do concurso de RL.

Durante esse processo, pequenas quantidades de compostos intermediários são convertidos em formas mais ativas, tais como peróxido de hidrogênio, superóxidos, oxigênio nascente e radicais hidroxílicos.
Entretanto, quando em excesso no organismo, os RL atacam a parede das células e destroem estruturas e tecidos, causando várias doenças:

  • Doenças genéticas:
    Neste caso são conhecidos distúrbios recessivos autossômicos ocasionados por RL, dentre eles a anemia hipoplásica congênita (síndrome de Fanconi), a síndrome de Bloom e xerodermia pigmentosum. O ponto em comum nestas 3 patologias é que todas se originam da incapacidade de reparação do DNA após sofrer agressão química ou física (White, A. & cols.)

  • Doenças genético-ambientais:
    Neste grupo a enfermidade mais representativa é o lupus eritematoso sistêmico, onde se encontram anticorpos específicos anti-DNA.

  • Doenças ambientais:
    Muitos distúrbios e doenças características da época em que vivemos tem origem nas degenerações provocadas pela ação de RL. A ateroesclerose, agregação de plaquetas e hipertensão são alguns exemplos.

    Câncer e RL estão intimamente ligados. Verifica-se que a incidência de tumores é menor em regiões onde consumo de antioxidantes, na dieta, é abundante e muito freqüente. Há demonstrações que a carcinogênese química é inibida pela presença de antioxidantes.

    Outro exemplo a ser citado é a formação de cataratas, proveniente do ataque ao cristalino por RL. O Dr. Gary Todd comprovou em seu trabalho de clínica oftalmológico e pesquisa que a administração de antioxidantes(Vitaminas e Minerais) a pacientes com processos de catarata em curso, pode recuperar em média, 50% da capacidade visual.

    Há estudos que demostraram ainda, a ação deletéria dos RL sobre o metabolismo cerebral. A oxidação descontrolada de ácidos graxos no cérebro é apontada como um dos fatores reponsáveis por defeitos sensoriais e cognitivos.



    2) A TERAPIA COM ANTIOXIDANTES:
    Vitaminas e Minerais são nutrientes essenciais para a vida. Eles são chamados "micronutrientes" porque em comparação com os demais, as quantidades necessárias são relativamente pequenas. As vitaminas funcionam muito como coenzimas, colaborando na catálise e ativação de inúmeras reações no organismo. Os minerais também funcionam como coenzimas, além de necessários na própria composição dos tecidos(ossos, sangue) e na manutenção de uma saudável função nervosa.

    Não há dúvidas com relação à importância das vitaminas e minerais para a saúde, mas a pergunta que tem desafiado todas as correntes sérias de pesquisa sobre o assunto é: estamos realmente absorvendo a quantidade necessária desses elementos para evitar todas degenerações que sua insuficiência pode causar?

    Por cerca de 40 anos as Tabelas de Ingestões Diárias Recomendadas(IDR) têm sido as diretrizes sobre essa questão. Entretanto, a paralisação temporária de suas revisões(desde 1985 o "National Research Council - USA" não se reúne sobre as IDRs) e as condições extra-nutricionais (poluição ambiental, aditivos alimentares, pesticidas) não consideradas para estabelecimento das IDRs, fazem com que essas mesmas diretrizes estejam, hoje, cientificamente limitadas. Além disso, há 2 pontos fundamentais e que, na prática, devem,ser considerados:

  • em nosso dia a dia não conseguimos uma dieta suficientemente balanceada para prover todos os micronutrientes necessários ao organismo.

    Neste aspecto é preciso que consideremos tanto as dificuldades rotineiras do homem moderno na grande metrópole quanto o trajeto do alimento desde sua produção até o seu consumo. A perda de nutrientes nos alimentos é assustadora, principalmente se consideramos os industrializados (perda por cozimento, processos de esterelização, adição de corantes, aromatizantes, conservantes). Os vegetais "in natura" começam a perder micronutrientes no momento em que são colhidos, quando se interrompe a oxigenação e alimentação das estruturas interiores.

    Além da interferência das condições de transporte e armazenagem, os teores de minerais variam significativamente com o tipo de solo em que os vegetais foram cultivados, com a adubação e tratamento químico empregados. A perda de Vitamina C nas maçãs, após 2 a 3 meses de sua colheita chega a 2/3; batatas podem conter até 30mg e Vitamina C em 100g, quando frescas e colhidas em época apropriada. No entanto, o produto normalmente consumido não encerra mais do que 8mg% da vitamina.

  • as IDRs não consideram o consumo aumentado de Vitaminas e Minerais antioxidantes face às exigências do mundo atual, da exposição química e radioativa a que estamos diariamente submetidos.



    3)VITAMINAS:

    3.1)Vitaminas Lipossolúveis:

    Vitamina A:
    Foi a primeira vitamina lipossolúvel identificada, congregando os compostos retinol, retinal e carotenóides. A forma ativa da Vitamina A é encontrada nos tecidos animais, enquanto a forma precurssora ou pró-vitamina betacaroteno é abundante em muitas frutas e vegetais (cenoura, beterraba,etc.).

    A Vitamina é estável à luz e ao calor, porém é sensível à radiação ultra-violeta e ao ar (oxidação). O seu local de acumulação e depósito no organismo é o fígado.

    As principais funções biológicas da Vitamina A estão relacionadas, com a química da visão, com a estimulação do sistema imunológico e com a formação de tecido epitelial sadio. O valor dessa Vitamina na prevenção do câncer tem sido bastante estudado.

    Whelan encontrou níveis reduzidos da Vitamina em vários casos de câncer da próstata e comprovou laboratorialmente que a suplementação com Vitamina A reverteu a deteriorização da próstata em camundongo.

    Doses: a suplementação com Vitamina A deve ser feita, preferencialmente, com parte da dose sob forma de betacaroteno. Para uso prolongado, aconselha-se a administração do pigmento carotenóide, somente.

    Adultos 1 a 2 x ao dia
    Crianças, lactentes até 2.000 UI /dia
    Gestantes até 5000 UI/dia


    Finalidade Vit.A +BCaroteno Betacaroteno
    antioxidante - 15 a 30 mg
    imunodeficiência 5000UI + 12 mg 15 mg
    prevenção de câncer 10.000UI + 24 mg 30 mg
    psoríase 10.000UI + 24 mg 30 mg
    problemas respiratórios 10.000UI + 24 mg 15 mg
    xeroftalmia 10.000UI + 24 mg 30 mg


    Vitamina D:
    Designação genérica para derivados esteróides com atividade importante no crescimento e calcificação. Os mais importantes são ergocalciferol(D2) e colecalciferol(na pele), recomenda-se:

    Finalidade Dose Diária
    suplementação diet. 400 UI
    osteoporose 400 a 600 UI
    hipertensão 400 a 600 UI


    Vitamina E:
    A Vitamina E foi descoberta em 1922 na Califórnia. Durante vários anos ela esteve associada somente ao processo reprodutivo, pois os estudos mostraram que a sua deficiência inibe fortemente a espermatogênese, enquanto as fêmeas tornam-se estéreis. Em 1972 surgiram outras funções biológicas para esta Vitamina: um eficaz antioxidante e protetor das células e suas estruturas contra o bombardeio dos RL.

    A Vit.E reage com os RL impedindo que eles oxidem e destruam as células:
    RADICAIS AC.GRAXOS DA LESÃO CELULAR
    LIVRES MEMBR.CELULAR INATIVAÇÃO
        ENZIMÁTICA
      VITAMINA E  


    Doses: a determinação das quantidades de Vit.E necessárias ao organismo depende da fatores de difícil avaliação. A necessidade diária, sem considerar os fatores que podem aumentar o consumo de Vit.E, varia de acordo com a literatura entre 10 e 45UI, sendo que as Doses terapêuticas estão compreendidas entre:

    Finalidade Dose Diária
    d.cardiovasculares 600UI
    displasias mamárias 600 a 1.000UI
    imunodeficiências 800UI
    antioxidante 400 a 800UI


    Vitamina K:
    Esta Vitamina tem papel importante na coagulação sanguínea, uma vez que sem ela é impossível a conversão do fibrinogênio em fibrina. As quantidades necessárias por dia variam entre 70 e 140mcg, que são supridas com facilidade pela dieta, a menos que se trate de deficiências de absorção ou carência da bactéria que sintetiza a Vit.K-2 no intestino (a Vit.K-1 deriva de plantas e a K-3 é sintética).

    Até o momento não foram identificadas funções biológicas de interesse para a Medicina Ortomolecular nesta Vitamina, além das conhecidas na coagulação.

    3.2)Vitaminas Hidrossolúveis:

    Vitamina B1 = Tiamina:

    A Vit.B1exerce uma função essencial no metabolismo dos carbohidratos, na transformação de ácidos graxos em esteróides e no bom funcionamento do sistema imunológico.
    Além disso, a Vitamina B1 demonstrou ser um eficiente antioxidante na peroxidação de lipídios.

    A Tiamina é um precursor direto da acetil-CoA, um fator indispensável na oxidação direta da glicose. O radical sulfidrila facilita, também, a manutenção do enxofre nas proteínas.

    Doses: por ser uma Vitamina hidrossolúvel, a Tiamina não pode ser armazenada no corpo. A sua administração deve ser efetuada em Doses divididas( 2 a 3x ao dia).

    Finalidade Dose Diária
    anitoxidante 50 a 200mg
    ansiedade, depressão 100 a 300mg
    imunodeficiência 50 a 200mg
    stress 100 a 300mg


    Vitamina B2 = Riboflavina:
    A Riboflavina está envolvida em duas vias metabólicas para produção de energia; no metabolismo de proteínas e lipídios. Isto explica porque pessoas com carência se cansam facilmente e tem pouco apetite. A deficiência de Vit.B2 está associada a vários estados patológicos: inflamações bucais, rachaduras nos cantos da boca, vermelhidão dos olhos(aumento de vascularização), alterações neurológicas que podem levar à depressão e à histeria, fotofobia, cataratas. Além disso, esta Vitamina é responsável pela liberação da glutation-redutase, uma enzima indispensável na reciclagem do glutation, um dos mais importantes antioxidantes endógenos.

    Doses: uma vez que seu consumo no organismo é alto e os depósitos ou reservas, ao contrário, são pequenos (vit.hidrossolúvel), há necessidade de uso constante.

    Finalidade Dose Diária
    antioxidante 50 a 200mg
    cataratas 15 a 200mg
    depressão 100 a 300mg
    desgaste físico 50 a 100mg


    Vitamina B3 = Niacinamida:
    A Vitamina B3 aparece em duas formas: niacina(ou ácido nicotínico) e niacinamida. O organismo pode produzir niacinamida a partir de triptofano, mas apenas em pequenos quantidades, insuficientes para nossas necessidades(60mcg de triptofano podem ser convertidos em apenas 1mcg da Vitamina).

    Niacina e Niacinamida são indispensáveis no metabolismo de carbohidratos e para a produção de energia aeróbica através do ciclo de Krebs. A Niacina atua em cerca de 50 reações metabólicas, principalmente como parte das coenzimas I e II.

    Entre as ações biológicas da Vit.B3, destacamos: estimula a liberação de histamina provocando secreção e aumento do fluxo sanguíneo nos órgãos sexuais; causa sedação, pois atua nos mesmos receptores dos benzodiazepínicos; reduz os níveis de colesterol sérico e também de triglicerídeos . A sua deficiência afeta, principalmente, tecidos de rápida substituição como a pele, trato gastrointestinal e tecido nervoso.

    Finalidade Dose Diária
    antioxidante 25 a 300mg
    ansiedade e depressão 100 a 300mg
    colesterol elevado 50 a 300mg


    Vitamina B6 = Piridoxina:
    A Vitamina B6 é uma das mais essenciais e utilizadas vitaminas no organismo. Trata-se de uma coenzima que participa de cerca de 60 reações, principalmente no metabolismo de proteínas(ajudando na construção de blocos de peptídios) e de lipídios essenciais. O interesse científico sobre a Piridoxina cresceu muito recentemente,no momento em que se tornou evidente sua profunda influência sobre o sistema endócrino.

    Estudos com animais de laboratório demonstraram que a deficiência provocada pela Vit. B6 na dieta provocou redução na atividade da tireóide, hipertrofia das adrenais e degeneração testicular. O sistema nervoso é, também fortemente influenciado pelos níveis de Piridoxina.

    Finalidade Dose Diária
    antioxidante 50 a 200mg
    depressão 50 a 200mg
    diurético 100 a 300mg
    síndrome pré-menstrual 50 a 300mg


    Vitamina B12 = Cianocobalamina
    Talvez a mais importante função biológica desta vitamina, seja na síntese do DNA das células vermelhas. Mas, entre outras responsabilidades, a Vit. B12 está diretamente ligada à síntese da metionina, à formação da mielina e ao metabolismo de lipídeos e carbohidratos. A sua deficiência ocasiona anemia megaloblástica, disfunções hepáticas(devido à diminuição da metionina), distúrbios gastrointestinais, fadiga, agitação, confusão e perda de apetite.

    Doses: de 25 a 300mcg/dia. A necessidade diária de Cianocobalamina é pequena devido à capacidade de acumulação e estocagem da vitamina no fígado(1 a 10mg) e ainda nos músculos, pele, ossos, pulmões, rins e baço.

    3.3) Ácido Fólico:
    É muito importante na síntese de proteínas e na regeneração dos tecidos. O sistema imunológico é também, seriamente afetado na insuficiência desta vitamina, diminuindo, inclusive, a rapidez no reconhecimento de invasão microbiana, assim como o número global de leucócitos. Quando os níveis de ácido fólico no organismo estão baixos as hemácias apresentam mà formações e, conseqüentemente, são eliminadas numa velocidade maior do que a reposição, provocando anemia. A forma ativa desta vitamina é o ácido tetrahidrofólico. A ausência de B12 faz com o organismo utilize o ácido fólico sob a forma de éster metílico, por este motivo os sintomas de deficiência do ácido são semelhantes as da Vit. B12.

    3.4) Ácido Pantotênico:
    O organismo converte o Ácido Pantotênico em coenzima A, cuja utilização é muito ampla nas vias metabólicas de carbohidratos e lipídios. Ele também é necessário para a produção de esteróides, colesterol, bile, hemoglobina e ainda acetilcolina. Considerada a vitamina "anti-stress", o Ác. Pantotênico(pertencente ao complexo B), quando em níveis abaixo do normal, pode ser o causador de insônia, dor de cabeça e distúrbios do humor. Além disso, esta vitamina possui efeito sinérgico com outros antioxidantes hidrossolúveis, tais como vitamina C e cisteína.

    Dose: de 25 a 300mg/dia.

    3.5) Biotina:
    É uma importante coenzima envolvida no metabolismo de carbohidratos e síntese de proteínas e lipídeos. Embora muitas vezes chamada de Vitamina H, a Biotina, na realidade é sintetizada no intestino por bactérias da flora normal. Em alguns casos tem sido associada a queda dos cabelos com a deficiência dessa substância, por sinal pouco comum (foi encontrada em crianças com defeitos genéticos e pessoas submetidas à antibioticoterapia por longos períodos).

    Dose: de 25 a 300mcg/dia.

    3.6) Vitamina C:
    O Ácido Ascórbico tem muitas funções biológicas importantes mas, talvez, a mais fundamental seja a estimulação de nosso sistema imunológico, principalmente pelo aumento na produção de linfócitos. Além disso, a Vit.C é muito requisitada pelo timo (glândula da imunidade) e tem a capacidade de aumentar a mobilidade dos fagócitos. Sua presença é, também, necessária nas glândulas adrenais(para a síntese de hormônios) e, nos estados de stress, o seu nível cai vertiginosamente. A Vit.C é muito importante na reparação tecidual e no câncer(ela é um potente antioxidante e neutralizador de RL). Não há dúvidas sobre o seu valor na prevenção de doenças cardiovasculares, não só atuando como antioxidante na cadeia do ácido araquidônico(ateroesclerose), como também reduzindo os níveis séricos de colesterol. Temos que ressaltar, ainda, o papel fundamental do ácido ascórbico na biossíntese de colágeno.

    Doses: a Vit. C está disponível tanto sob a forma de Ácido ascórbico como de ascorbatos, sendo que a sua atividade pode ser sinergizada por bioflavonóides(rutina, quercetina, etc.)

    Finalidade Dose Diária
    alergias e asma 3 a 5g
    antioxidante 0,5 a 5g
    d.coronariana 0,5 a 3g
    prevenção do câncer 3 a 5g




    4) MINERAIS QUELATOS:

    4.1)Introdução:
    A importância e a necessidade de minerais para o nosso organismo é indiscutível tanto para a Bioquímica quanto para a Nutrição. Alguns são necessários em quantidades e teores mais elevados(Cálcio, Fósforo, Sódio, Potássio), por isso são chamados de Macromineais, enquanto outros só em diminutos níveis(Cromo, Selênio, Manganês) e são chamados de Oligoelementos.

    A suplementação dietética com minerais tem sido recomendada há muito tempo pelos estudiosos em Nutrição e hoje, encontra maior aprofundamento científico na Medicina Ortomolecular. Entretanto, a forma de administração dos minerais exerce importante papel na eficiência da absorção.

    Já sabemos de há muito que as moléculas inorgânicas apresentam grandes dificuldades para uma absorção orgânica, principalmente por não ligarem-se com facilidades às proteínas plasmáticas.

    A complexação dos minerais com moléculas orgânicas, mormente os aminoácidos, permite um grande implemento no aproveitamento biológico desses importantes nutrientes. É sob essa forma que os minerais são administrados, atualmente.

    4.2) Definição:

    Os quelatos tiveram sua estrutura química definida em 1894. Em 1920, 2 pesquisadores americanos, usaram efetivamente o termo quelato para descrever esta estrutura cíclica em forma de anel.

    O termo "quelato" provém do grego chel(chelation), que significa "presa". No contexto químico, o metal aprisionado pelo "ligante".

    4.3) Descrição e Características:

    H2C.........NH2            NH2.........CH2
     .            .             .            .
     .             .          .              . 
     .                  Zn                   .
     .             .          .              .
     .          .                .           .
    O=C........O                  O.........O=C 
    

    Quelatos são compostos formados pela ligação de um determinado cátion com um ou mais átomos, constituindo uma estrutura cíclica.

    Um metal aminoácido quelato é o produto resultante da reação do íon metálico de um sal solúvel com um ou mais aminoácidos, formando uma estrutura cíclica que mantém ligações covalentes e/ou iônicas.

    A média do PM do aminoácido hidrolizado deve ser aproximadamente 150, e o PM resultante de união deste com o cátion não deve exceder 800 dáltons, pois um peso superior dificulta sua absorção.

    Quelatos com PM acima deste valor devem ser hidrolizados para sua absorção, o que, por sua vez, compromete a absorção de forma intacta através da parede intestinal.

    Outra característica dos minerais aminoácidos quelatos é sua baixa toxidade mesmo em grandes Doses, possibilitando assim uma margem de segurança extensa com relação à prescrição.

    Este fato foi verificado em estudos realizados, submetendo ratos a diferentes Doses de minerais aminoácidos quelatos, em comparação aos sulfatos e cloretos dos mesmos minerais.
    Desta maneira, foi constatado que os minerais aminoácidos quelatos são aproximadamente de 2 a 3 vezes menos tóxicos que os correspondentes sulfatos.

    Exemplos:

    Sulfato de Cobre DL50=117 mg Cu/Kg
    Cobre aminoácido quelato DL50=235 mg Cu/Kg
    Sulfato de Ferro DL50=319 mg Fe/Kg
    Ferro aminoácido quelato DL50=825 mg Fe/Kg


    4.4) Orientações a serem veiculadas pelo Farmacêutico:

    a) Quanto à formulação:
    As formulações contendo minerais aminoácidos quelatos visam, além de suprir as necessidades diárias dos diferentes metais, atender aquelas condições clínicas onde se estabelece um maior consumo de nutrientes minerais específicos e/ou onde estes tenham uma atividade comprovadamente terapêutica.
    Minerais aminoácidos quelatos combinam aminoácidos e minerais puros, resultando em uma molécula com densidade máxima em nutrientes.
    O organismo utiliza tanto o mineral como o aminoácido para suprir carências existentes e/ou regular vias metabólicas deficientes.
    Concluindo-se, quando a suplementação alimentar é feita com minerais aminoácidos quelatos, temos uma maior absorção, ótima tolerância e um nutriente com máxima densidade nutricional.

    b) Compatibilidade com outras substâncias:
    Os quelatos podem ser associados com outras substâncias tais como: vitaminas hidro e lipossolúveis, aminoácidos e minerais. Desta associação não se observa nenhum efeito deletério sobre estes nutrientes.

    A manipulação, no entanto, depende do farmacêutico que deve estar atento quanto ao adequado manuseio, cálculo da fórmula, granulometria, embalagem e armazenamento, pois cada mineral aminoácido quelato possui características particulares.

    Como exemplo, tem-se a tabela abaixo com médias obtidas com relação às características físicas dos seguintes metais aminoácidos quelatos: Cálcio, Cromo, Cobre, Ferro, Magnésio, Manganês e Zinco.

    Caracaterísticas Físicas Médias Obtidas

    Cor

    variável

    Textura

    desde pós granulares a pós finos

    Tamis

    82,7% através de malha 100

    Densidade

    0,43g/cc

    Perda por combustão

    79,2% (8hs a 650C)

    Total N2 (cinzas)

    12,2%

    Mistura

    não maior que 10%

    pH

    6,6 (1% em água destilada)



    c) Forma de apresentação e cálculo da porcentagem dos minerais nos quelatos:
    É de extrema importância a padronização quanto à escrita e forma de prescrição dos quelatos para uma adequada manipulação do produto. Com esta finalidade convencionou-se prescrever os minerais aminoácidos quelatos da seguinte forma:

    Ex.: Zinco(Glicina) 15mg

    O uso dos parênteses é necessário para evidenciar que a quantidade indicada é correspondente ao mineral puro e não à combinação deste com o aminoácido.
    Logo, no exemplo citado, temos que 15mg correspondem ao Zinco metálico e não ao composto quelato zinco-glicina.

    Caberá ao farmacêutico calcular o quanto deverá ser colocado do composto Zinco Glicina para que se satisfaça a prescrição de 15mg.

    Neste caso, como o composto Zinco Glicina contém 20% de Zinco elementar, o farmacêutico concluirá que deverão ser utilizados então, 75mg do composto para se obter 15mg de Zinco prescritos.

    d) Condições para manipulação:
    Sendo altamente higroscópicos, os quelatos tendem a absorver água com muita facilidade. Por esta característica, é necessário que a manipulação seja realizada em local seco e fresco e, se possível, utilizando um desumidificador e/ou ar condicionado.

    Obs.: é aconselhável o uso, como excipientes, de substâncias secantes tais como Aerosil, Manitol, etc. O uso de Lactose também é recomendado.

    e) Condições para conservação e estabilidade:
    A matéria-prima deve ser mantida ao abrigo da luz, em lugar seco e fresco. O uso contínuo de ar condicionado no local de manipulação e armazenamento, proporcionando tais condições, facilita em muito a estabilidade do produto.

    Quanto ao produto final, este deve ser acondicionado em frascos plásticos ou de vidro com uso de algodão para a devida proteção, e de sílica como secante.


    f) Tipos de cápsula:
    Existem basicamente 8 tipos de cápsulas, contudo apenas 6 são usadas no Brasil. São elas: 00, 0, 1, 2, 3 e 4.

    Como pode ser visto na tabela abaixo, variam principalmente de acordo com a capacidade de princípio ativo + excipiente que comportam: o tipo de cápsula é escolhido em função da quantidade de produto, considerando seu volume em ml.

    Para formulações de minerais aminoácidos quelatos que contenham Magnésio ou Cálcio, comumente a cápsula de escolha é a tipo 00 devido ao volume de produto envolvido.

    Tamanho 00 0 1 2 3 4
    capacidade(mg) 750 500 350 280 250 100




    5) ESTUDO DOS MINERAIS:
    Cálcio:
    O organismo humano contém, aproximadamente, 1,2Kg de Cálcio, sendo que 99% dele encontra-se armazenado nos ossos e dentes. O restante está distribuído na corrente sanguínea e no líquido extra-celular. O Cálcio foi o mineral mais estudado e pesquisado sob o ponto de vista biológico, face ao seu papel fundamental na constituição óssea, entretanto, vários estudos demonstraram outras funções importantes do Cálcio: regulação da contratura e relaxamento muscular, controle da pressão arterial e mediação na transmissão nervosa.

    O Cálcio se encontra disponível nas formas: Cálcio Magnésio Glicina com 14% de Ca, Cálcio Glicina, com 10% de Ca.

    Doses: 1 a 1,5g, conforme a necessidade.

    Finalidade Dose Diária
    hipertensão 1 a 1,5g
    osteosporose 1,2 a 1,5g


    Ferro:
    Embora a dieta seja relativamente rica em Ferro, muito freqüentemente verificamos ingestões diárias abaixo da recomendação nutricional. As autoridades americanas calculam que cerca de 58% da população dos E.U.A. consomem menos Ferro do que o recomendado.

    A absorção do ferro através de moléculas inorgânicas é muito deficitária(apenas cerca de 4% de Ferro sob a forma de Sulfato é realmente absorvido). O Ferro Chelazone é um complexo Ferro-Glicina muito estável e bem absorvível, contendo 20% de Fe.

    Dose: cápsulas com 500mg e 1g, correspondendo a 90 e 180mg de Ferro puro, respectivamente.

    Administração: 1 a 2x ao dia nos estados carências, às mulheres grávidas, nas anemias ferroprivas, aos desportistas e na suplementação dietética. Nas preparações infantis recomenda-se Xarope na concentração de 200mg/5ml.

    Magnésio:
    O conteúdo orgânico de Magnésio é cerca de 20-28g, a metade disso nos ossos. O restante atua como parte integrante de enzimas e na manutenção da função nervosa. Seu papel na produção de energia é importante, assim como no relaxamento muscular e na neurotransmissão. Sua deficiência acarreta sérios prejuízos ao aparelho cardiovascular. Dyckner demonstrou que a administração de Magnésio a animais de laboratório digitalizados corrigiu a arritmia cardíaca.

    Encontramos o Magnésio como: Magnésio Aspartato com 7% de Mg, Magnésio Glicina com 10% de Mg e Magnésio Metalosato com 18% de Mg.

    Dose: 500 a 750mg/dia.

    Zinco:
    O Zinco se apresenta no organismo em teores que variam de 2 a 3g, a maior parte nos olhos, fígado, próstata, sêmen e cabelos, fazendo parte de cerca de 20 enzimas diferentes. Não há armazenamento de Zinco no organismo. Embora quantidades significantes possam ser encontradas nos ossos, isto pouco representa em relação à pronta disponibilidade do mineral para sua funções biológicas. O Zinco é o antagonista natural do Cobre e a sua deficiência provoca diminuição da imunidade(diminui a produção de Linfócitos T). Este mineral é um importante limpador de RL, além de ser componente da Superóxido Dismutase, enzima responsável pela desmobilização dos depósitos de Vitamina A do fígado.


    Existem 4 formas de apresentação de aminoácidos quelatos com Zinco:
    Zinco Arginina 10%Zn
    Zinco Glicina 20%Zn
    Zinco Histidina 20%Zn
    Zinco Metionina 10%Zn


    Dose: 20 a 50mg/dia.

    Finalidade Dose Diária
    antioxidante 30 a 50mg
    imunodeficiência 30 a 50mg
    perda do paladar 30 a 50mg
    prostatite 30 a 50mg
    visão deficiente 30 a 50mg


    Cobre:
    Este mineral está presente no organismo com cerca e 100 a 150mg, no fígado, cérebro, coração e rins. Sua presença é fundamental para a absorção do ferro, bem como para a sua utilização na síntese da hemoglobina. O Cobre é necessário ao funcionamento da insulina, ao transporte de açúcar e à lipólise de gorduras no tecido adiposo. Klevay comprovou que ratos tratados com dietas deficientes em Cobre apresentaram níveis elevados de colesterol sanguíneo, além de terem sido acometidos de anemia e degeneração do músculo cardíaco.


    São duas as formas de apresentação dos quelatos com Cobre:
    Cobre Glicina 3%Cu
    Cobre Lisina 3%Cu


    Doses: 0,5 a 2mg/dia.

    Manganês:
    Segundo as avaliações com animais o Manganês é essencial para o metabolismo de proteínas, lipídios e produção de energia. O mineral é importante, também, para o correto desempenho do sistema nervoso(a sua deficiência aumenta a susceptibilidade a convulsões), para a formação de colágeno, síntese de protombina(com Vit.K) e de colesterol.

    Apresentação:
    Manganês Arginina 10%Mn
    Manganês Glicina 16%Mn


    Doses: 5 a 30mg/dia.

    Cromo:
    O organismo de um ser humano adulto contém, em média, 6g de Cromo. Na forma de complexo metalo-protêico, este elemento atua aumentando a capacidade de ligação entre a molécula de insulina e membrana celular, melhorando, assim, o desempenho biológico no metabolismo dos carbohidratos. Face à essa propriedade o complexo é denominado de Cromo GTF(Glicose Tolerance Factor).


    A sua deficiência ocasiona a alta da glicose sanguínea, como consequência metabólica, advém a elevação do colesterol(na impossibilidade de utilizar glicose para a produção de energia o organismo lança mão da via lipídica).

    O Cromo dispõe de uma única apresentação, o Cromo Dinicotinato Glicinato, com 3% de Cu.

    Doses: 200 a 600 mcg/dia

    Finalidade Dose Diária
    colesterol elevado 200 a 400 mcg
    diabetes 400 a 600 mcg


    Selênio:
    O Selênio está presente em quase todos os tecidos, porém o seu teor é mais elevado nos rins, fígado, baço e pâncreas. É um limpador de RL muito eficiente, dotado de grande flexibilidade eletrônica(+1, +2, +4 e +6). O Selênio se combina com Cisteína para formar uma parte importante da enzima Glutation-peroxidase, um importante protetor antioxidante. da membrana celular contra o ataque de RL. Na ausência deste mineral os peróxidos vão dar origem ao Malonildialdeído, um dos mais agressivos RL que se conhece. O Selênio é muito importante também, para evitar a desestruturação do colágeno. É de importância fundamental na prevenção do câncer, sendo recomendado 200mcg/dia. Há autores que recomendam até 400mcg/dia, quando se trata de pacientes com alto risco de desenvolverem processos carcinogênicos.

    Apresentação: Selênio Complex, com 0,2%Se.

    Doses: embora haja autores que recomendem até 400mcg de Selênio, a maior parte dos trabalhos científicos refere-se a Doses compreendidas entre 50 e 200mcg/dia.

    Finalidade Dose Diária
    artrite 50 a 100 mcg
    prevenção de d.cardíacas 100 a 200 mcg
    prevenção câncer 100 a 200 mcg
    protetor contra RL 100 a 200 mcg




    6)"ANTI-AGING": O REJUVENESCIMENTO PELA MEDICINA ORTOMOLECULAR

    6.1) INTRODUÇÃO:
    O aumento da longevidade e o controle do envelhecimento tem sido um desafio à Medicina e `a Ciência. Muitos milagres foram prometidos e não puderem ser cumpridos, pois careciam de base científica. A Med. Ortomolecular, muito pelo contrário, tem procurado exatamente dirigir as pesquisas de modo integralmente científico. Assim é que a teoria dos RL e o seu poder degenerativo sobre a células foi acolhida em todo mundo.

    6.2) TERAPIA ORTOMOLECULAR:
    É sabido que, na velhice, o organismo experimenta profundas alterações na absorção de nutrientes, na produção hormonal e na regeneração celular. Uma suplementação de nutrientes adequada pode contribuir decisivamente para a melhoria da saúde do indivíduo, diminuindo a velocidade do envelhecimento e, conseqüentemente, aumentando a longevidade com saúde.

    6.3) SUGESTÕES DE FÓRMULAS:

    ANTI-AGING 1:
    Betacaroteno

    20.000UI

    Vitamina E

    200UI

    Vitamina D3

    100UI

    Tiamina

    25mg

    Riboflavina

    25mg

    Piridoxina

    40mg

    Cianocobalamina

    100mcg

    Selenio

    100mcg

    Quercetina

    150mg

    Coenzima Q10

    5mg

    Gluconato de Zinco

    25mg

    Cromo GTF

    100mcg



    Posologia: 2 cáps. ao dia após as refeições.
    Discussão: a combinação de vitaminas anticancerígenas (betacaroteno), ativadores metabólicos (Complexo-B), antioxidantes nobres (Vit.E, Se, C.Q10) Zinco(melhora o desempenho da visão e o funcionamento da próstata), quercetina(bioflavonóide mais eficaz do que a Rutina no controle da fragilidade capilar) e ainda a adição do Fator de Tolerância à Glicose(Cromo GTF) propicia a esta fórmula características excepcionais para a preservação da saúde das pessoas que já ultrapassaram os 40 anos de idade.

    GLICINA PLUS:
    Glicina 200mg  
    Cistina 200mg +VitaminaC 500mg
    Colágeno em pó qsp 1g  


    Posologia: 2 cáps. ao dia de Glicina Plus e 2 cáps. ao dia de Vit. C(tomas juntas).
    Discussão: a Glicina é o aminoácido mais importante para constituição do tecido conjuntivo, a Cistina é fundamental para cabelos e unhas e o colágeno pó, ao ser hidrolisado pelo HCL estomacal, oferece uma reposição de aminoácidos importante para evitar e combater a flacidez e a rugas(a Vit.C melhora muito sua absorção). A colocação dessa vitamina em cápsulas separadas deve-se à questões de estabilidade.