Drª Denise Polato de Lima © 2003


Os médicos brasileiros Efrain Olszewer e Charles Yamaguchi conseguiram provar, pela primeira vez, que as vitaminas antioxidantes - C, E e betacaroteno - e os minerais zinco, cobre e selênio, usados em dosagens adequadas durante o período pré-cirurgico, são capazes de acelerar o processo de cicatrização e evitar a necrose do tecido submetido a lesões traumáticas. A constatação do processo em laboratório valeu à dupla de médicos a aceitação, para publicação, do resultado do estudo no próximo número do "Journal of Advancement in Medicine", do American College for Advenced of Medicine, da California, EUA.

Os antioxidantes impendem a ação dos temidos radicais livres, substâncias responsáveis pelo envelhecimento. "A descoberta é benéfica para as áreas das cirurgias plásticas estéticas e reconstrutivas", afirmou Olszewer. Os melhores resultados de recuperação das áreas lesionadas foram obtidos com os ratos, aos quais foram administradas as vitaminas E, C e betacaroteno e o mineral selênio. Dos animais que receberam os antioxidantes, 80% não sofreram necrose no tecido, enquanto que o grupo de animais que não recebeu os medicamentos teve 70% da área lesionada comprometida pela necrose, explicou Olszewer, diretor do Centro de Medicina Preventiva de São Paulo.

Oxigênio - Segundo Olszewer, a ação dos radicais livres propicia a oxidação dos tecidos lesionados, por causa do aumento da quantidade de oxigênio em contato com o sangue circulante, levando à necrose da área, se não se administra os antioxidantes. Os dois médicos verificam que a recuperação dos animais foi mais significativa, ainda, quando administraram, via intraperitoneal, antioxidantes mais específicos, como o EDTA (ácido estileno di-amino tetra-acetílico) e DMSO (dimetil-sufolsódico). Os outros antioxidantes foram dados aos ratos por via oral.

Presidente de honra da Sociedade Brasileira de Oxidologia (SBO), Olszewer e Yamahuchi discutirão o achado científico durante o III Simpósio Internacional e II Congresso Latino-Americano de Radicais Livres em Medicina, que reunirá, no Rio, os mais destacados especialistas na área da medicina ortomolecular caracteriza-se pelas altas dosagens de vitaminas como terapêuticas, mas vem sendo usada de "forma inadequada por muitos médicos", critica Olszewer, que aproveitará o simpósio para advertir contra o que ele chama de "publicidade enganosa, que apresentam a terapia com os antioxidantes como sendo o fonte da juventude".