Novas drogas causam "surpresa e preocupação"
Profissionais consideram reportagem do 'Estado' importante para alertar pais e professores
MAURO MUG
A reportagem publicada ontem pelo Estado sobre as novas drogas que
estão invadindo os colégios da capital causou um misto de surpresa e
preocupação em médicos e educadores. O diretor do Núcleo 5 da Vigilância
Sanitária, Paulo Nakano, disse que não sabia que os jovens estavam usando
como entorpecentes várias substâncias químicas vendidas licitamente.
"Fiquei sabendo pelo jornal. Essas reportagens são importantíssimas,
pois servem de alerta para que haja um controle rígido desses produtos."
Segundo ele, a sociedade pode pressionar para que a Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) crie normas para controlar produtos à base
de substâncias como o cloreto de metileno, incluindo na lista de insumos
químicos utilizados para fabricação e síntese de entorpecentes.
"É necessário que haja um controle rígido, proibindo o uso
indiscriminado desses produtos", destacou Nakano. "Foi graças a denúncias
como essa que a Anvisa determinou a apreensão de receitas médicas na venda
do colírio cicloplégico, anestésico que estava sendo usando como droga. O
mesmo aconteceu com xaropes e com a acetona, cujo laboratório retirou da
fórmula a substância usada para refinar cocaína."
Coordenador de eventos do Colégio Albert Sabin, Marcos Costa disse
estar muito preocupado com as novas drogas, principalmente porque elas
podem ser obtidas a partir de produtos vendidos licitamente. "O B-25, cuja
fórmula contém cloreto de metileno, é um deles. Por isso, a fiscalização
deveria ser mais rigorosa."
Costa desenvolve com seus alunos o projeto Declaração de Amor à Vida,
que tem como objetivo alertar pais e jovens sobre os entorpecentes e
explicar os perigos da dependência, seja de drogas ilícitas, como cocaína
e maconha, ou liberadas, caso das bebidas alcoólicas, cigarro e remédios.
"A reportagem é uma boa advertência para que pais e professores saibam o
que pode estar ocorrendo em suas casas e escolas", disse o coordenador.
Debate - O professor Sylvio Gomide, diretor do Colégio Mater
Dei, informou que os coordenadores da escola vão usar a reportagem para
orientar seus alunos. "Vamos colocar as informações em discussão nas salas
de aula, como medida preventiva."
Gomide, que também é presidente do Grupo das Escolas Particulares, o
trabalho de prevenção tem de ser realizado conjuntamente entre os colégios
e as famílias, principalmente porque é mais difícil controlar o uso de
drogas que são vendidas livremente. "É necessário envolver o aluno em
atividades sociais, trabalhando o conceito de cidadania. Sendo um cidadão
responsável, o jovem vai evitar as drogas."
O Estado de S. Paulo 23 de abril de 2002
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