Drª. Denise Polato de Lima © 2003
A pequena empresa pode oferecer uma grande ajuda na solução do desemprego, no aumento do PIB e das exportações, desde que seja realmente viabilizada.
O que viabiliza qualquer empresa é o lucro e a pequena empresa tem suas responsabilidades, mas não é uma organização assistencial e não cabe a ela resolver os problemas sociais criados pelo governo. O pequeno empresário antes de mais nada é um empreededor que visa a realização e evolução de seus empreedimentos através da lucratividade de suas ações.
O governo deve ser um facilidador e não um agente complicador.
A criação e manutenção das empresas precisa ser mais simplificada e acessível, sua carga tributária diminuida, suas perspectivas de crescimentos melhoradas para que possa manter os empregados existentes e criação de novas oportunidades de trabalho e finalmente deixar de ser pequena.
O governo procura facilitar os grandes projetos através de emprestimos a multinacionais que aqui se estabelecem, as mesmas que quando seus resultados não estão de acordo com o esperado são as primeiras a deixarem o país e grande massa de empregados na rua. O mesmo volume de recurso emprestado à uma única multinacional é o suficiente para atender as necessidades de investimentos de um grande número de pequenas empresas. Estas pequenas empresas tem suas responsabilidades sociais muito mais evidentes uma vez que elas estão inseridas na comunidade e não tem como ir embora do país na primeira dificuldade.
O dinheiro é o sangue do sistema capitalista e ele precisa circular, precisa trocar de mãos.
Como todo empresário o pequeno precisa ter capital de giro, para financiar suas atividades econômicas, parte deste recurso poderia ser obtido junto a órgãos governamentais, mas sempre é necessário ter alguma garantia para estes emprestimo. O pequeno não tem esta garantia porque se tivesse já a teria usado de alguma forma nos seus negócios. O fato de durante toda sua vida empresárial ter pago todos seus impostos regiamente nas datas estipuladas não credencia como um bom canditado a emprestimos, muito menos os de longo prazo. prêmios, e certificação ISO9002, menos ainda. Os banco querem garantias reais que possam ser executadas imediatamente.
O custo do dinheiro para o pequeno empresário é sempre maior devido aos "riscos".
Para se viabilizar as pequenas empresas, se faz necessário a reavaliação das taxas de juros, de desenvolver-se novas condições para garantia nos empréstimos (grande dificuldade dos pequenos e para quem quer começar), aumentar os ofertas e rodas de negócios, o governo assumir o papel de mediador e detector de novas oportunidades dentro e fora do país. Facilitar e desburocratizar os caminhos para exportação, entre outras medidas fundamentais para se dar força e condições reais de disputa no mercado.
No tangente à quantidade de empregos gerada, o que é de fato impostante, não é a relação número de empregos por empresa, e sim, o quanto cada uma pode manter, proporcionando um número de empregos significativos.
Atualmente o número de vagas ofertadas está reduzido, porém as vagas existentes têm apresentado demora elevada no seu preenchimento, os candidatos têm-se mostrado quase que sem nenhuma qualificação técnica (só curso de datilografia). O quadro está muito mais para os desesperados por uma vaga, do que candidatos a uma seleção, que tenham interesse em se comprometer e crescer com a empresa.
A empresa deve criar condições e estrutura para treinamentos, reciclagens, saber identificar áreas deficitárias, criar medidores, estabelecer metas, implantar programas de qualidade.
Porém para que tudo isto resulte em aumento de produtividade, é fundamental uma gestão voltada para as pessoas, humanizada, valorizando e estimulando o funcionário, fazendo com que ele acompanhe e participe ativamente da vida da empresa.
Um conjunto de situações se faz necessário: quadro sócio-econômico estável, no país e no mundo. Novas oportunidades de negócios, empreendedores à frente da empresa, capazes de sensibilizar seus funcionários, e até mesmo uma mudança cultural na forma de pensar do trabalhador brasileiro, que assuma um papel maior na relação de emprego, chamando para si, parte da responsabilidade de manter, não só seu emrpego, mas a própria existência da empresa e a realização pessoal.
Por outro lado, percebemos, dentro de nossa realidade, a importância da consciência dos proprietários, de que não basta gerar e manter o emprego. É fundamental perceber a função social que possuem, para que o emprego seja gratificante, onde exista o crescimento pessoal e profissional do indivíduo como cidadão, contribuindo-se diretamente para a melhoria da qualidade de vida da comunidade onde atua.
Não se perdura uma relação onde só uma parte se sai bem, a troca tem que ser mutua e continua. A mudança de mentalidade precisa ser verificada urgentemente.