Drª Denise Polato de Lima © 2003



1)Introdução:
São produtos preparados à base de extratos fluidos ou tinturas vegetais, cujo veículo básico é o xarope simples e na maioria das vezes é enriquecido com a adição de mel.

2) Veículo:
Xarope simples: preparado à partir de açúcar, água e conservantes.

Preparação: Levar ao fogo brando ou banho-maria, 800g de açúcar, 450g de água, 2g de Nipagin. Esperar desmanchar, agitando até resfriar.

3) Principais plantas utilizadas:
Extrato Fluido de Agrião: Nasturtium officinalis
Indicações: expectorante, fluidificante, depurativo, anti-catarral.
Extrato Fluido de Alho: Allium sativum
Indicações: expectorante potente.
Extrato Fluido de Limão: Citrus limonum
Indicações: expectorante, fluidificante. Combate o excesso de secreção catarral.
Extrato Fluido de Eucalipto: Eucalyptus globulus
Indicações: anti-gripal, anti-febrífugo. O óleo é empregado para massagens peitorais como anti-tussígeno.
Extrato Fluido de Guaco: Mikania glomerata
Indicações: anti-tussígeno, combate a bronquite.
Xarope de guaraná: Paulinea cupana
Indicações: tônico, estimulante, reconstituinte.
Tintura de Poejo: Mentha pulegium
Indicações: antisséptico, expectorante, anti-tussígeno.

4)Formulação:
Exemplo: Xarope Expectorante
Fórmula: 10% Extrato Fluido de Agrião
10% Extrato Fluido de Ipeca
10% Tintura de Própolis
10% Mel
Xarope simples qsp 100ml
Misturar todos os extratos e tinturas. Adicionar o xarope simples. Acrescentar o mel. Misturar bem. No caso de utilizar o mel, deverá constar no rótulo "Agite antes de usar".

A Obesidade e a Fitoterapia

1)Introdução:
A obesidade é o acúmulo excessivo de gorduras no organismo, tanto quer em partes isoladas como em um todo. Com base na fórmula de Lorenz: R = p/a2, um indivíduo é considerado obeso, à partir do momento, em que ele ultrapassa a faixa dos 10 a 15% do seu peso, em relação a sua altura; por exemplo: uma pessoa com 1,70m de altura, o ideal seria pesar de 70 a 73Kg.
As diferentes causas da obesidade podem estar relacionadas com:
a) alterações metabólicas, bem como a própria hereditariedade, onde nem sempre os obesos exageram na alimentação, neste caso, pode-se evidenciar ser um problema de origem endócrina;
b) supercomilões, que pôr ansiedade e até por gula, fazem uma alimentação de forma errada, pois deseducam-se quanto ao hábito alimentar;
c) disfunções nas glândulas da tiróide, hipófise e glândulas sexuais.

São muitas as opções no tratamento da obesidade, como: tratamentos hormonais, químico-sintéticos, dietéticos, físicos, fitoterápicos e outros. Mas, sem dúvida, há o risco de alguns tratamentos, onde a perda súbita de peso, leva a queda na tensão arterial, o deslocamento de vísceras e até alterações psíquicas, o que exige uma maior perícia na condução pôr parte do especialista, que nem sempre pode contar com a disciplina se deus pacientes, os quais, muitas vezes deixam de seguir a forma correta de usar o medicamento e a s alterações recomendadas, pôr exemplo: a ingestão de álcool que dependendo da droga torna-se um veneno mortal.

As plantas medicinais que podem auxiliar no tratamento da obesidade são várias, por isso, estão classificadas em grupos, os quais, permitem distinguir as possíveis associações, e a formas farmacêuticas de apresentação que podem ser em: tinturas, pós, infusos, decoctos, cremes, extratos, comprimidos e plantas in natura para banhos.

Plantas hepáticas, coleréticas, colagogas:

Carqueja: (Baccahris triptera D.C.) - Tônico amargo, estomacal exerce açãobenéficas no fígado e intestinos. O amargor da carqueja, é o responsável pelo estímulo das glândulas salivares e hepáticas. Na Farmacopéia Brasileira recomenda-se a folha, o que permite uma digestão a partir da boca. Usada em forma de infuso a 2,5% de 50 -200ml/dia; tintura de 5 - 25ml/dia, extrato fluido de 1-5ml/dia, cápsulas ou comprimidos de 500mg de 1 - 4 vezes/dia, vinho, xarope ou elixir de 25 - 100ml/dia. Componentes químicos principais: óleo essencial, matérias resinosas, péctica, princípio amargo, carquejol.

Boldo:(Boldus boldus M.) - Família das Monimiaceas, tem ação na célula hepática, estimula a digestão, aumenta e modifica a secreção biliar, fluidificando a ação observada em casos de angiocolite catarral, afecções hepáticas e na litíase biliar, facilitando a eliminação da uréia. É um tônico usado nas anemias e cloroses. Nas folhas, encontram-se os componentes químicos como taninos, mucilagem, hidrocarbonetos, ácidos graxos, ésteres acéticos, cineol, ascaridol, boldo glucina, cedrol, boldina, entre outros. Infusos a 5% de 50 - 200ml/dia, tintura de 10- 20ml/dia, extrato fluido de 2 - 10ml/dia, pó de 2 - 10g/dia, elixir e xarope de 20 - 100ml/dia, vinho de 50 - 30ml/dia. O boldo em doses altas e contínuas provoca sonolência.

Alcachofra:(Cynara scolymus L.) - É uma composta conhecida em especial pôr suas atividades como colerética , colagoga, laxativa e diurética. Indicada nas afecções hepáticas e biliares, nas propriedades est mulantes sobre as funções antitóxicas do fígado, na atividade anticolesterolemiante da eliminação da uréia, nefrites agudas. Nas folhas encontram-se a cinarina, sais minerais como cálcio, potássio, sódio, magnésio, inulina, princípio amargo e tanino. Como infuso ou decocto a 2,5% de 50 - 200ml/dia, de 1 - 3g/dia, extrato de 0,20 -1g/dia, extrato fluido de 1 -5ml/dia, xarope de 10 - 50ml, tintura de 5 - 25ml/dia.

Dente-de-leão:(Taraxacum officinale W.) - Planta da família das compostas, cujas partes utilizadas são conforme alguns autores, folhas e raiz, outros citam rizoma e raiz. Composição química: esteróis, resinas, essência, vitaminas: A, B1, PP, C e D, inulina, alcalóides, derivados terpênicos entre outros. Suas propriedades são como tônico, amargo, colagogo e diurético; com atividades nas insuficiências hepáticas, angiocolite crônica, laxativo. Excelente depurativo.
a dosagem média é de 4g/dia, infuso a 5% de 50 - 200ml/dia, tintura de 10 - 50ml/dia, extrato de 500mg - 2g/dia, extrato fluido de 2 - 10ml/dia, xarope, vinho, elixir de 20 - 100ml/dia.

Pariparoba:(Heckeria umbellata L.) - É uma Piperácea, conhecida também por caapeba, raiz e folhas indicadas como um colagogo nos ingurgitamentos de fígado e baço. Constatou-se a presença de óleo resina e glucosides. Tinturas de 5 -30ml/dia, infuso e decocto a 3% de 50 - 200ml/dia, extrato fluido de 1 - 6ml/dia, de 1 - 2g/dia, xarope de 10 - 60ml/dia.

Plantas com atividade calmante:

Mulungu:(Erytrhina mulungu M.) - A casca desta Leguminosa-Papilionacea é largamente usada na medicina popular. Quando estudada revelou alcalóide de ação sedativa e hipnótica, suave, nos casos de histeria, ansiedade, insônia e casos de bronquite, coqueluche, asma, tosses, é também empregada nas nevralgias crônica, dores reumáticas, afecções hepáticas.
Tinturas de 5 - 20ml/dia, infusos a 2% de 50 - 200ml/dia, de 0,5 -2g/dia, extrato fluido de 1 -4ml/dia, xarope e 10 - 80ml/dia.

Maracujá:(Passiflora alata A.) - Passifloracea, cuja parte utilizada é a folha, onde encontra-se o princípio ativo passiflorina e maracujina(P.edulis), além de taninos, açúcares, resinas, entre outros componentes. É um fármaco considerado sedativo nervoso e antiespasmódico, empregado nas histerias, neurastenia, neuroses de trabalho, ansiedade, insônia, perturbações da menopausa além de provocar a diminuição da tensão arterial e aliviar a respiração. de 1 -2g/dia, infuso a 1% de 50 -200ml/dia, decocto a 1% de 50 - 200ml/dia, tintura de 2 - 10ml/dia, extrato 0,5% a 2ml/dia, xarope de 20 -80ml/dia.

Valeriana:(Valeriana officinalis L.) - Família das Valerianáceas, usa-se o rizoma e a raiz, onde encerram-se várias substâncias como ésteres acéticos, fórmico, mucilagem, goma, resina, entre outros. É indicada nos casos de perturbações nervosa, stress, sintomas da menopausa, atividade antiespasmódica - nível do SNS e periférica, na epilepsia, dermatoses pruriginosas, etc. de 2 - 10g/dia, tintura de 10 - 50ml/dia, infuso a 5% de 50 - 200ml/dia, extrato de 0,5 -2g/dia, extrato fluido de 2 - 10ml/dia.

Melissa:(Melissa officinalis L.) - Esta Labiada é a erva cidreira da Farmacopéia brasileira, sendo por vezes, confundida com Lippia, cuja sinonímia vulgar também é erva cidreira. Indicada nos casos de histeria, perturbações nervosas, antiespasmódica e carminativo. Principais componentes químicos: tanino, resina, citral, terpenos, entre outros. de 1 - 3g/dia, infuso a 3% de 50 - 200ml/dia, extrato fluido de 1 - 6ml/dia, água de melissa de 50 - 200ml/dia.

Plantas laxativas:

Cáscara sagrada:(Rhamnus purshiana D.C.) - Uma Ramnácea, onde os princípios estão contidos na casca do caule e na casca dos ramos, são substâncias antraquinonas denominadas de emodina e isoemodina, ácido crisofânico, ácidos gordurosos, emodina impura(cascarina e purshiana). Nas doses pequenas é um laxativo por excelência. de 0,25 - 1g/dia, infuso a 2,5% de 50 - 100ml/dia, tintura de 1 - 10ml/dia, extrato de 0,05 a 0,20g/dia, xarope de 20 - 100ml/dia, extrato fluido de 0,25 a 2ml/dia.

Jalapa:(Exogonium purga B.) - É uma Convolvulacea. Sua parte usada é a raiz, onde se encontra a atividade laxativa e purgativa dependendo da dosagem, é composta de convolvulina e jalapina, principalmente. Não indica-se o uso em casos que existam inflamações intestinais, pois os colagogos potencializam sua ação. de 0,1 - 0,4g/dia, tintura de 0,5 - 2ml/dia, extrato fluido de 0,1 - 0,4ml/dia.

Ruibarbo:(Rheus palmatum L.) Família Poligonácea, parte usada rizoma. Além de tônico, amargo, é um laxativo purgativo conforme a dose empregada, não é aconselhável seu uso prolongado, devendo evitar o seu uso na constipação crônica. Infuso a 2% de 20 - 100ml/dia, de 0,25 a 1g/dia, tinturas de 5 - 10ml/dia, extrato 0,5g/dia, xarope até 10ml/dia.

Sene:(Cassia angustifolia V.) - Família das Leguminosas-Cesalpíneas, com ação laxativa. Partes usadas: folículas e os folíolos. Sua prescrição sempre que possível deverá ser acompanhada de antiespasmódico ou carminativo, em doses elevadas provoca cólicas e ação direta nos aparelhos musculares da pequena bacia(útero, bexiga),não devendo ser indicado para as gestantes.
de 1 - 5g/dia, infuso a 5% de 25 - 100ml/dia, extrato fluido de 1 - 5ml/dia, xarope de 10 - 40ml/dia. Acima dessas dosagens torna-se purgativo.

Plantas estomáquicas e normalizadoras da digestão:

Espinheira Santa:(Maytenus ilicifolia M.) - É uma Celastrácea, a parte usada é a folha, onde encontramos sódio, cálcio, ferro,enxofre e substancia ulcerogênica. Normaliza as funções e a motilidade gastrointestinal, além de ser laxativa e diurética branda. Fármaco de eliminação aonde não foram vistos inconvenientes de longo tempo deus, a não ser em casos de mulheres que amamentam por reduzir a secreção láctea. Utilizada no combate às úlceras, gastralgias. de 5- 20g/dia, tintura de 25 -100ml/dia, infuso ou decocto a 5% de 100 - 400ml/dia, extrato fluido de 5 - 20ml/dia, vinhos, xaropes e elixir de 50 - 200ml/dia.

Casca D’anta:(Drimys winteri M.) - A casca do caule desta Magnoliácea é utilizada nas dispepsias, pôr ser um estimulante estomacal, possui propriedades diuréticas e atua também nos casos de anemia, diarréias e fraqueza em geral. de 2 - 12g/dia, infuso a 5% de 50 - 259ml/dia, tintura de 10 -60ml/dia, extrato fluido de 2 - 12ml/dia, elixir, xarope e vinho 40 - 120ml/dia.

Plantas auxiliares no tratamento do obeso:

Centella asiática:(Hydrocotyle asiática L.) - Família das Umbelíferas, sendo usada a planta integral, não deve-se abusar das quantidades, pois esta erva pura tem atividade narcótica. Em seus princípios encontram-se a velarina, asiaticosídeo, etc.
de 0,25 - 1g/dia, infuso e decocto a 0,5% de 50 - 200ml/dia, tintura de 1 -- 5ml/dia, extrato fluido de 0,25 a 1ml/dia, extrato 0,05g/dia.

Espirulina:(Spirulina maxima) - Família das Oscillatoriaceae, pôr seu alto teor protêico tem um papel importante na reposição de proteínas no organismo debilitado, ou que necessitem de dietas. Na forma pó pode ser consumida, segundo algumas literaturas, até 8g/dia.

Fucus:(Fucus vesiculosus L.) - Alga das Funaceas composta de ácido algínico, iodo, entre outros. Suave ação laxativa, indicados para a diminuição de gorduras. de 1 -2g/dia, extrato fluido de 1 - 5ml/dia, extrato de 0,25 a 1g/dia, vinho, xarope e elixir de 20 - 100ml/dia.